Bem, neste capítulo vou contar a vocês de que forma que consegui viajar pelo Brasil inteiro praticamente sem ter uma renda compatível para tal, posteriormente pela América do Sul e até pela Europa até então.
Tudo começou em um pacote de turismo em 1994, onde fui a Fortaleza por uma semana com direito a hotel 4 estrelas e vários pacotes diários. Porem isso me trouxe problemas, fiquei pagando essa viagem de uma semana por quase 1 ano e isto tinha que mudar afinal de contas eu tinha gostado e muito do que vi, vivi e aprendi e queria mais, mas não tinha condições, ou teria que ganhar um salário de patrão ou aprender algo.
No outro ano não viajei pra longe estava duro , no outro fiz outro pacote e mais dividas, mas eu trabalhava em banco e já sabia que esse lance de cartão de crédito, cheque especial e juros era uma grande armadilha, resolvi dar um fim nisso depois da segunda viagem, mas mesmo assim fui viajar, gastei mais do que devia e tinha a sensação de perda, pois passava 25 dos 30 dias em casa, curtir 1 semana de rei era muito pouco eu precisava mais, pensei !
Bom aí comecei a mensurar o custo beneficio das coisas que eu fazia no dia a dia, principalmente as coisas repetidas, como barzinho, danceteria, baladas sem nexo, roupas de marca, incrementos pro meu carro, o próprio carro que eu tinha e pensei, o que era mais importante e legal, eu ter um carro zero e não conhecer a rua de traz de minha casa, eu ter uma roupa de marca e não conhecer gente interessante e nova, eu ir 200 vezes pro mesmo barzinho ou ir conhecer uma praia nova, uma cidade nova, um monumento e cheguei a conclusão que eu tinha que pagar um preço de escolha, ou um ou outro.
No começo foi meio difícil, afinal o materialismo doentio já era gigante nas pessoas a mais de 20 anos atrás e eu estava indo na direção oposta, cheguei a ser indagado por algumas pessoas com frases do tipo, "pow você fica torrando seu dinheiro em viagens e fica com esse lixo de carro!" Mas eu sorri e disse, pois é, ahaha pois eu tinha escolhido ir na direção oposta a maioria, eu estava desafiando o sistema, sabia que ia pagar um preço por ser diferente, mas eu tinha convicção do que eu ia fazer e estava gostando.
Mas só isso era muito pouco ainda, eu tinha de aprender a me organizar, a organizar meu cascalho, tinha que ter planos e métodos, aplicar o dinheiro, investigar o quanto eu ia gastar em cada viagem lá na frente, traçar um valor a ser economizado por mês e não mexer neste, aprender a comprar passagens aéreas bem antes, mais baratas , muito mais, ficar ligeiro com o famoso gasto compulsivo por asneiras, mudar hábitos como um todo.
Uma das coisas que aprendi por ser bancário foi a de como usar as porcarias que o banco queria me dar e dar a todos nós, mas isso de forma positiva e dentre elas era o famoso cartão de crédito, percebi que o cartão de crédito podia me dar prazo, e este prazo deveria ser usado pras minhas economias, pro dinheiro crescer pra mim e não pro banco, nada de fazer parcelamento e sim começar a pagar tudo a vista e ter 2 cartões de crédito e não um. Porque isso? Simples, eu usaria para fazer compras essenciais o cartão que me desse mais prazo pra pagar a fatura a vista dependendo da data limite deste cartão, com o outro a mesma coisa 15 dias após a data do anterior, então em 2 compras do mês eu teria em média até 35 dias pro meu dinheiro render em uma poupança e eu pagaria sempre menos pela compra ao termino destes dias, parece pouco mas não é, no fim de um ano só de fazer isto você paga pelo menos 50 % de sua hospedagem num albergue.Por fim o maldito cheque especial, tinha que exterminar com ele , e assim o fi sempre deixei o limite minimo só como margem de segurança e aprendo que temos de dar o passo do tamanho de nossas pernas, no caso o nosso bolso e isso me ajudou muito, espero que ajude a vocês.
Com isso quando chegava a época de férias eu tinha a viagem paga antes de ir, e por fim descobri o método dos albergues, viagem barata, ai as coisas melhoraram mais ainda.
Depois que fiz minha primeira viagem por albergue vi que a rede estruturada do Turismo cobrava muito caro pra fazer algo que eu podia fazer pra mim mesmo, afinal de contas com isso eu economizaria muito mais e poderia com isso usar essa economia de estar em um albergue e estender o prazo de viagem, ai comecei a viajar nas minhas férias, não 7 dias dias e sim, 15, 20, 25, 30 cheguei a viajar até por 40 dias e pasmem, gastei o que gastava com os pacotes turísticos somente por 7 dias, grande diferença não é mesmo?
Ai com o passar dos anos e o tato do mochilão, aprendi muito mais coisas, aprendi a me virar mesmo, a usar do malandrix, deixar de cair no conto do vigário, aprendi a negociar com pacotes turísticos quando estavámos em grande quantidade de mochileiros, aprendi a desconfiar da primeira proposta, aprendi a pesquisar, a buscar outras alternativas e com isso foi possível sim para eu, um trabalhador normal, daqueles que se acredita que nunca irão viajar de avião um dia, nunca irão sair do seu país, fazer tudo que eu fiz, aprender tudo que eu aprendi, conhecer o meu pais inteiro, adquirir uma cultura gigantesca que é a de estar lá e não em ver em livros, aprendi culturas de outros países com as pessoas que conviveram comigo, depois fui a seus países ver o que eles tinham a me mostrar e hoje estou aqui compartilhando com vocês tudo isto, e detalhe sou igual a vocês, então se eu posso e consigo, você também pode e consegue , é só escolher ou viver escravo do sistema ou escravizar o sistema , você decide. "O mundo não é tão grande quanto parece e você não é tão pequeno quanto imagina."
No capítulo DICAS DESTE MOCHILEIRO, você encontrará mais sobre o que foi dito aqui.
Esses dias me falaram algo assim: "Você vai pra Europa mas anda com carro velho". Cada um com suas prioridades né!
ResponderExcluirEaee Brother Alexandre...muito bom esse tópico, concordo contigo plenamente, é melhor sacrificar algo que te forneça status ao conhecimento que vc adquiriu nesses anos todos de viagem...isso ninguem tira da gente..srsr! Eu tbm to contigo nessaa cara!
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